Notas


24/05/2011 - 10:18

Cana eleva valor de arrendamento em Rio Verde-GO



Rio Verde (GO), 24 - A expansão do cultivo de cana-de-açúcar para atender a demanda por matéria-prima pelas destilarias está impulsionando o valor de arrendamento da terra na região de Rio Verde, no sudoeste de Goiás. A demanda por terras para cultivo de cana, principalmente nas áreas próximas às unidades industriais, onde é possível utilizar a vinhaça das destilarias para adubação das lavouras, elevou o valor de 10 sacas para 15 sacas de soja por hectare. A soja é a moeda de troca utilizada para calcular o valor do arrendamento.

A preocupação em relação ao impacto da cana sobre a produção de milho e soja cresce na mesma medida em que os canaviais avançam no sudoeste goiano. Na região, que responde por 60% da produção estadual de grãos, estão instalados os complexos industriais da BR Foods (Perdigão), que é a maior empregadora e consumidora de soja, milho e sorgo em Goiás. Para preservar as atividades relacionadas ao cultivo de grãos, a prefeitura de Rio Verde baixou em 2008 um decreto limitando o plantio da cana a 20% da área do município, mas a iniciativa foi considerada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.

Os dados da agência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no município mostram que na safra passada foram cultivados 20.680 hectares de cana em Rio Verde, dos quais 11,5 mil de canaviais em produção e 9,180 mil hectares de áreas novas. Na safra atual, os canaviais ocupam 35 mil hectares, com aumento de 69% em relação à safra passada. As áreas em produção tiveram expansão de 74%, para 20 mil hectares, e os canaviais em formação aumentaram 63%, para 15 mil hectares.

Apesar da expansão recente, área de canaviais corresponde a pouco mais de 10% do total cultivado com grãos em Rio Verde. A soja é o destaque, com 265 mil hectares nesta safra, área 8% (20 mil hectares) superior aos 245 mil hectares plantados na safra passada. A soja avançou sobre áreas de milho de verão, que teve redução de 73%, para 4 mil hectares, e de sorgo, que recuou 33%, para 30 mil hectares. Nesta safra, os agricultores do município investiram mais no milho safrinha, que é semeado após a colheita da soja. A área de safrinha aumentou em 20 mil hectares (25%), para 100 mil hectares.

Na opinião do assessor técnico da Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Pedro Arantes, apesar das preocupações dos agricultores, não existe o risco de a cana avançar ainda mais sobre as áreas de cultivo de grãos do sudoeste goiano, pois a atual conjuntura de altos preços do açúcar no mercado internacional não deve persistir no longo prazo. Ele acredita que a cana vai se consolidar na região sul de Goiás, ocupando áreas de pastagens.

Rentabilidade

O analista Anderson Galvão, da Céleres Consultoria, comenta que a rentabilidade dos grãos nesta safra mostrou-se competitiva em relação à cana-de-açúcar, fato que muitos achavam impossível há cinco anos. Segundo ele, o produtor que colheu na safra de verão entre 50 a 55 sacas de soja por hectare e na safrinha mais 110 sacas de milho obteve o mesmo rendimento pago pelos arrendamentos.

Os cálculos da Céleres para a soja em Primavera do Leste (MT) mostram uma receita de R$ 2,2 mil e R$ 1,4 mil por hectare, respectivame