Por: Cooperativa Integrada

Qui, 19 abr 2018

Mercado de grãos em um momento atípico

Os conflitos comerciais entre os Estados Unidos e a China têm ajudado a manter em alta os preços das commodities agrícolas desde a quebra da safra da Argentina. A informação é do consultor em mercado agrícola e sócio da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros. O especialista esteve nessa quinta-feira, dia 19, na matriz da Integrada para ministrar uma palestra para diretores, gestores e lideranças cooperativistas.

Com o conflito entre os dois países, existe um componente de imprevisibilidade muito alto para o mercado de grãos. Barros comenta que, se houver um recuo no conflito, o valor da soja pode alterar para baixo. Com relação à produção dos líderes mundiais de produção da oleaginosa, dados coletados pela MB Agro apontam uma produção de 38 milhões de toneladas de soja no ciclo 2017/18 na Argentina, 115 milhões de toneladas no Brasil e 120 milhões de toneladas nos Estados Unidos.

Uma simulação realizada para o próximo ciclo (2018/19), em um cenário normal de clima, aponta uma produção de 120 milhões de toneladas de soja nos Estados Unidos, 117 milhões de toneladas no Brasil e 57 milhões de na Argentina. Com esta hipótese, a relação estoque e preço futuro em Chicago ficariam estáveis.

Para a próxima safra verão, há um cenário de El Niño, o que será muito bom para o Sul do Brasil porque o fenômeno trará mais chuvas. Ainda em relação ao clima, para este ciclo de inverno, Barros afirma que o quadro de neutralidade climática previsto para esta época do ano trará chances de geadas no Paraná porque, provavelmente, não haverá bloqueio atmosférico que impeça as massas de ar polar de chegar ao Estado.

Milho

Os atuais preços do milho no mercado nacional atingiram patamares inimagináveis, avalia o consultor da MB Agro. “Mas, se a safrinha vier normal, o preço do milho vai cair”, alerta o especialista. Desde o início do ano o consumo vem caindo devido à crise que afeta o segmento de carnes, que consomem mais de 70% do milho produzido no Brasil.
Por isso, reforça Alexandre, a tendência é de queda no preço. “O cenário do milho só aumentará se houver uma alta no câmbio”, salienta.

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