Por: Cooperativa Integrada

Ter, 23 out 2018

O plantio direto e a evolução da agricultura

Na década de 1970 os produtores do Norte do Paraná não sabiam como resolver o problema da erosão que levava a produtividades das lavouras. Trincheiras e curvas de nível não eram suficientes para conter a perda de água e solo fértil (lixiviação). Naquela época, Herbert Bartz, produtor no município de Rolândia (PR), com o objetivo de encontrar uma solução para o problema, financiou uma viagem do próprio bolso para a Europa e Estados Unidos com o objetivo de encontrar novas ferramentas que ajudasse a resolver o problema.

Em Kentucky (EUA), Bartz conheceu o trabalho de dois extensionistas que praticavam o “No-Till”. Ou seja, plantavam sem arar e gradear, sem revolver o solo, deixando-o protegido e menos suscetível à erosão, que nada mais é do que o nosso plantio direto. Bartz trouxe a tecnologia para a sua propriedade no interior do Paraná e, depois de muita resistência por parte dos colegas produtores, a tecnologia começou a ser adotada por outros produtores.

A partir daí, a realidade no Norte do Paraná mudou, principalmente a partir da década de 1980, quando a tecnologia começou a ser adotada em massa por parte dos agricultores paranaenses. Hoje, o plantio direto é amplamente adotado pelos produtores que perceberam os benefícios que o manejo proporciona.

A técnica foi tão importante para a região que um grupo de produtores do município de Mauá da Serra, localizado também no Norte do Paraná, criou um museu do plantio direto com o objetivo de contar a história dos pioneiros que começaram a adotar a técnica e mostrar os primeiros equipamentos utilizados para iniciar os trabalhos com o plantio direto.

Naquela época, os equipamentos tinham que ser adaptados porque os implementos tradicionais não tinham força para cortar a palhada. Por isso, muitos produtores colocaram nos implementos facões ou pedaços de ferro improvisados junto à base de plantio para cortar a palha da cultura anterior e, assim, semear a próxima cultura. Com o aumento na adesão do sistema de plantio direto, a indústria de máquinas e equipamentos começaram a desenvolver ferramentas de maior força e com barras de corte para realizar o plantio da cultura seguinte com a palhada da anterior.
Nos últimos anos estamos percebendo que o plantio direto não tem sido bem conduzido. A falta de rotação de culturas tem comprometido a qualidade do sistema. A sucessão contínua de soja e milho nas safras verão e inverno reduziu muito a quantidade e a qualidade de palha nos solos paranaenses. Isso fez com que o sistema entrasse em um ciclo não sustentável.

Quando o volume de palha na superfície do solo é muito baixo, a radiação solar compromete a vida microbiana do solo, além de facilitar a remoção de sua superfície pelas enxurradas. Quando um produtor se encontra nesse tipo de situação, uma das primeiras ações a serem adotadas é a implantação da rotação de culturas. A destinação de uma pequena área no verão para o plantio do milho pode ser um começo.

O milho, por exemplo, possui raízes mais profundas que ajuda no processo de descompactação do solo, além de possuir nichos de nutrientes diferentes se comparados aos da soja. A rotação de cultura deve ocorrer tanto no verão, quanto no inverno com o plantio de trigo, aveia, ou outro tipo de cultura que se adapte à região.

O mínimo para a condução de uma boa rotação é a utilização de quatro culturas em um período de dois anos. Isso garante uma alta porosidade que permite uma elevada permeabilidade nos coloides do solo. O plantio direto mantém as condições ideais para a planta e faz com que a variedade expresse o seu melhor potencial produtivo.

Além disso, um bom manejo no sistema de plantio direto ajuda no controle de plantas daninhas por meio da rotação de diferentes mecanismos de ação no combate às infestações por herbicidas.
Um plantio direto bem conduzido garante altos índices de produtividade, o que eleva a produção brasileira sem a necessidade de ampliar área. As novas tecnologias em plantas disponíveis no mercado já possuem um alto potencial genético de produção, mas para que todo esse potencial seja extraído, é necessário que a planta tenha condições favoráveis de desenvolvimento. A limitação do potencial produtivo se deve à má condução do sistema de plantio direto. Por isso, uma das principais ações dos agricultores antes de pensar em qual tecnologia adotar, é trabalhar em um bom manejo.

Em relação às questões ambientais, o impacto ambiental ao adotar o sistema é menor devido à manutenção dos microrganismos, que contribui para um equilíbrio ambiental. A não realização de um plantio direto bem feito pode acarretar um desequilíbrio ambiental, o que pode comprometer até mesmo os resultados na propriedade. O plantio direto ajuda na estruturação microbiana do solo, além de ajudar a reter água e calor, fatores que favorecem o bom desenvolvimento das plantas.

O risco biológico não é um dos únicos problemas, pois existe também os riscos de defensivos agrícolas aplicados na lavoura pararem em lagos ou rios por meio da erosão, que também podem assorear córregos ou rios que passam pela propriedade. A superfície do solo levada pela chuva leva o lucro do produtor e traz sérios riscos ambientais.
Faça um plantio direto bem feito e comece a colher bons resultados.

(Romildo Birelo e Haroldo Denofrio, engenheiros agrônomos da Cooperativa Integrada)

Outras notícias

  • Integrada firma parceria com três startups

    As empresas de tecnologia foram selecionadas durante a 4ª edição do Hackathon Smart Agro

    Ler
  • Cafés de qualidade

    Presidente da Integrada participa do 28º Encontro Estadual do Café

    Ler
  • Liberação de recursos

    Integrada recebe R$8,4 milhões em recursos para investimentos

    Ler
  • Integrada cria sua 15ª regional

    Ibaiti recebe nova regional com o objetivo de ampliar o atendimento da cooperativa

    Ler
  • Ovinos campeões

    Cliente das rações Integrada conquista prêmio de reservado campeã Texel RGB na ExpoLondrina

    Ler